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Categoria: Destaque, Saúde

Casos de Aids avançam entre jovens e aumentam 90% no Vale em 10 anos

Da Redação SPRIO+ Publicado em 27/04/2019, às 16:07 • Atualizado em 29/04/19, às 11:58




Xandu Alves/OVale

Casos de Aids avançam entre jovens e aumentam 90% no Vale em 10 anos

Foto: Divulgação

A mortalidade dos portadores do vírus HIV caiu abruptamente no país com a evolução do coquetel de remédios, diferentemente das décadas de 1980 e 90, quando o diagnóstico de Aids era sentença de morte.

Com isso, ao contrário dos mais velhos, os jovens não têm em seu imaginário as cenas de pacientes soropositivos, cadavéricos e debilitados pelo vírus HIV, já chamado de “praga gay”.

“Não se morre mais de Aids”, dizem alguns. Exatamente aí está a contradição.

A sobrevida e a segurança do tratamento implicaram, indiretamente, em maior exposição de jovens aos riscos do vírus. E a doença cresce assustadoramente entre eles como se vê nas estatísticas.

Dados oficiais do Ministério da Saúde mostram que a taxa de detecção de vírus HIV entre jovens de 15 a 24 anos mais que dobrou em uma década.

Nas três maiores cidades do Vale do Paraíba, o aumento é ainda mais preocupante. De 2006 a 2017, a taxa de detecção do vírus saltou 900% em Jacareí, 240% em Taubaté e 94% em São José, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Os jovens hoje não se sentem mais vulneráveis com a doença”, afirmou a infectologista Juliana Fenley, que atua em órgão da prefeitura de São José.

“Eles estão preocupados em conhecer a vida, em experimentar”, completa a enfermeira Melissa Amorim, de Taubaté.

No Documento OVALE desta semana, mergulhamos na realidade da Aids entre os jovens e mostramos que o sinal de alerta está ligado.

Jovem de 21 anos descobriu há três que é soro positivo e hoje procura conviver com a doença, tomado remédios e buscando uma vida saudável: “tenho que me cuidar”

Felipe (nome fictício) assumiu a homossexualidade para seus familiares aos 21 anos. Três anos depois, uma nova bomba: iniciou o tratamento para o HIV, vírus que causa a Aids. “Foram duas batalhas”, diz.

Neste intervalo, ele admite ter mantido relações sexuais com “diversos parceiros” sem qualquer proteção. “Eu confiava nas pessoas”, conta.

Depois de um período de depressão, ele retomou as aulas numa faculdade da região e sonha em formar-se na área da comunicação. A vida, porém, tornou-se bem diferente.

“Estava acostumado a festas, viagens e clubes noturnos. Passei uma fase em que saía todos os finais de semana para ficar com alguém diferente. Foi numa dessas aventuras que contraí o vírus”.

“Agora, tenho que me cuidar bem mais, tomar os remédios e procurar uma vida saudável. Estou mais consciente de mim mesmo e dos meus limites”, afirma ele.

Os casos de Aids detectados em pessoas jovens como Felipe aumentaram acima de 90% nas principais cidades do Vale num intervalo de 10 anos.

Em São José dos Campos, por exemplo, os casos de Aids em pessoas de 15 a 24 anos, segundo dados do Ministério da Saúde, saltaram de oito, em 2006, para 24 em 2017, um crescimento de 200%. No ano passado, a cidade registrou 13 casos nessa faixa etária, ainda assim um aumento de 62,5% ante 2006. A doença caiu em todas as outras faixas etárias.

Segundo a infectologista Juliana Fenley, do CRMI (Centro de Referência de Moléstias Infectocontagiosas) de São José, o aumento de Aids entre os jovens se dá mais com o público homossexual masculino, e normalmente por descuido com a própria proteção.

“Nos atendimentos, percebemos que eles têm falha no uso do preservativo. Todos sabem que existe o HIV, mas não se sentem muito vulneráveis, e usam preservativo só algumas vezes. Quando o relacionamento está mais fixo eles param de usar”, afirma a especialista.

A partir do diagnóstico, nem todos os jovens aderem ao tratamento, mas são a minoria. O mesmo ocorre com os companheiros. “Hoje é mais difícil um portador perder o parceiro”.

Entre os jovens, segundo Juliana, os casos estão disseminados por todas as parcelas da sociedade. “Há de todas as classes sociais, grau de instrução diverso, não tem padrão. As classes mais desfavorecidas chegam [com a doença] mais avançada. Os mais favorecidos descobrem mais cedo”.

Em Taubaté, casos de Aids entre jovens crescem 250% em 10 anos, diz Ministério

Os casos de Aids entre jovens de 15 a 24 anos, segundo o Ministério da Saúde, subiram 250% em Taubaté em 10 anos. Passaram de dois, em 2006, para sete em 2017. Todas as outras faixas etárias registraram queda. No geral, os casos caíram 40% na cidade, no mesmo período: 86 para 52. A boa notícia é que apenas um caso foi registrado no ano passado entre os jovens.

“Temos que falar, sempre. Nas escolas, onde os jovens estão. Precisamos mostrar que é uma doença que não tem cura e que o tratamento não é tão simples”, diz a enfermeira Melissa Amorim, coordenadora do AMI (Ambulatório Municipal de Infectologia) de Taubaté.

Para ela, o problema é que os jovens estão menos preocupados com a prevenção e mais em “conhecer a vida, experimentar”..

São José aposta em campanha feita por portador de HIV para sensibilizar jovens

Secretário de Saúde de São José, o médico Danilo Stanzani disse que a pasta investirá ainda mais em programas de conscientização para diminuir a incidência de Aids entre os mais jovens. Mas com uma abordagem diferente. Uma das novidades é uma campanha que está sendo criada por um jovem portador de HIV com formação em marketing, que é atendido pela rede pública. “Pedimos a ele ideias para ajudar a aumentar o impacto desse trabalho, e ele está criando um projeto de dentro do CRMI (Centro de Referência de Moléstias Infectocontagiosas)”.

“Temos que fazer programa de conscientização. Estamos com estrutura de comunicação forte na prefeitura e ideia é fazer uma sensibilização mais forte da garotada da cidade”, disse.

Ministério da Saúde investe em “prevenção combinada”, incluindo distribuição de preservativos, gel lubrificante e ações educativas, além de testagem rápida para HIV

Reconhecido internacionalmente pelo protagonismo e pioneirismo no combate à Aids, o Brasil não terá prejudicada a sua “estratégia de resposta ao HIV”, segundo garantiu o Ministério da Saúde.

Trata-se de resposta aos questionamentos de entidades do terceiro setor que criticam suposta interferência ideológica do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na área de combate à Aids.

“A assistência ao tratamento e a melhoria do diagnóstico são ações que continuarão sendo adotadas pelo Ministério da Saúde”, disse a pasta.

Segundo o ministério, a taxa de mortalidade pela Aids passou de 5,7 por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos, em 2017. “A garantia do tratamento para todos, lançada em 2013, e a melhoria do diagnóstico contribuíram para a queda, além da ampliação do acesso à testagem e redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento. A epidemia de Aids no Brasil está estabilizada”, completou.

De acordo com números oficiais, a taxa de detecção de soropositivos é de 18,3 casos a cada 100 mil habitantes, com 37.791 casos novos de Aids no país em 2017. Desse total, 12,9% foram entre jovens de 15 a 24 anos (4.877 casos). No acumulado de 1980 a junho de 2018, essa faixa etária representa 10% dos casos de Aids no país.

“A maior concentração dos casos de Aids no Brasil foi observada nos indivíduos com idade entre 25 e 39 anos, em ambos os sexos. Correspondem a 52,6% dos casos do sexo masculino e a 48,7% entre as mulheres”, informou o Ministério da Saúde.

A pasta confirmou o crescimento exponencial de casos de Aids em jovens de 15 a 24 anos. Entre 2007 e 2017, a taxa entre aqueles de 15 a 19 anos mais que dobrou, passando de 3,0 para 7,0 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa passou de 15,6 para 36,2 casos a cada 100 mil.

O Ministério da Saúde informou ainda que o país diversificou as ações de combate à doença dentro do conceito de “prevenção combinada”, que inclui distribuição de preservativos, gel lubrificante, ações educativas e ampliação de acesso a novas tecnologias, como testagem rápida (incluindo fluido oral), profilaxia pós-exposição e profilaxia pré-exposição.

“Para conscientizar principalmente os jovens, que resistem em ir aos serviços de saúde e se prevenir contra o HIV, o Ministério da Saúde desenvolve, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de saúde, ações e campanhas regionais e municipais por ocasião de eventos específicos destinados à juventude, como shows e festas regionais”.



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