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O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, por meio de um estudo realizado pelo laese (Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos), aponta que o prejuízo de quase R$ 3 bilhões registrado pela Embraer tem como principal responsável o fim do processo de venda para a Boeing. O balanço é referente ao segundo trimestre de 2020.
Segundo o estudo, a queda no lucro líquido da companhia se deve a uma reavaliação e depreciação dos ativos (bens e diretos) da fábrica, além do prejuízo das despesas operacionais, que totalizaram R$ 1,85 bilhão no primeiro semestre.
“Deste valor, R$ 1,2 bilhão refere-se ao ônus causado pelo fracasso do negócio (impairment), amortização, depreciação e custos reais da separação do setor de aeronaves comerciais. No acordo fracassado, esse setor iria para o controle da Boeing”, diz trecho da nota divulgada pelo Sindicato.
De acordo com o Sindicato, nesta conta, apenas R$ 83,7 milhões fazem parte de uma provisão adicional para perdas de crédito esperadas durante a pandemia.
O Ilaese diz, ainda, que a Embraer reduziu de R$ 1,4 bilhão para R$ 942 milhões os recursos destinados aos trabalhadores. O que representa uma queda de 36,76% em relação a 2019.
O Sindicato dos Metalúrgicos recorreu à Justiça pedindo o afastamento do Conselho Administrativo da Embraer. O processo está em curso na 24ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo.
“A direção da Embraer quer fugir de sua responsabilidade na crise atual. A tentativa de entrega para a Boeing foi uma aventura promovida pela incompetência da diretoria da empresa. Está mais do que na hora de a Embraer ser reestatizada e controlada pelos trabalhadores”, afirma Herbert Claros, diretor do Sindicato.
