
O Governo de São Paulo divulgou nesta segunda-feira (31) os resultados do Projeto S, coordenado pelo Instituto Butantan para vacinar a população adulta do município de Serrana contra o coronavírus.
O estudo clínico de efetividade teve início em fevereiro e se estendeu até abril. Com 95% dos habitantes adultos vacinados pela CoronaVac, a pesquisa mostrou quedas significativas de 95% em mortes, 86% de internações e 80% em casos sintomáticos de Covid-19 na cidade.
“O estudo indica também que, com 75% da população-alvo imunizada com as duas doses da vacina CoronaVac, a pandemia foi controlada em Serrana”, afirmou o governador João Doria (PSDB).
A redução dos indicadores da pandemia foi constatada com a comparação dos dados registrados antes e depois que cerca de 27 mil moradores com mais de 18 anos completaram o ciclo de imunização com duas doses da vacina, com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda aplicação.
A população total de Serrana é estimada em torno de 45 mil pessoas.
A incidência da Covid-19 em Serrana despencou em comparação às cidades vizinhas. Enquanto a região apresenta alta nos casos da doença, Serrana manteve taxas baixas de contágio graças à vacinação, mesmo com cerca de 10 mil moradores que transitam por outras cidades diariamente.
O detalhamento da pesquisa está disponível no site do governo.
Metodologia
A pesquisa foi liderada pelo Butantan, sendo efetuada em parceria com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e da Prefeitura de Serrana.
O método usado no ensaio clínico é chamado de implementação escalonada por conglomerados (stepped-wedge trial, na denominação em inglês). A cidade foi dividida em 25 subáreas, formando quatro grandes grupos populacionais que receberam o imunizante em semanas sucessivas. A vacina foi oferecida a todos os maiores de 18 anos elegíveis para o estudo em quatro etapas e datas distintas.
O diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, disse que o escalonamento sequencial permitiu avaliar e comparar as quatro áreas vacinadas.
“Percebemos que os fenômenos observados não acontecem aleatoriamente, mas se repetem nos quatro grupos em momentos diferentes”, explicou. “O resultado mais importante foi entender que podemos controlar a pandemia mesmo sem vacinar toda a população. Quando atingida a cobertura de 70% a 75%, a queda na incidência foi percebida até no grupo que ainda não tinha completado o esquema vacinal.”
Segundo Palacios, a pesquisa confirmou também o efeito indireto da vacinação, já que foi possível comprovar a proteção de populações não imunizadas, como crianças e adolescentes. “A redução de casos em pessoas que não receberam a vacina indica a queda da circulação do vírus. Isso reforça a vacinação como uma medida de saúde pública, e não somente individual.”
Para o Diretor do Butantan, Dimas Covas, o estudo de fase 4 comprovou a eficiência da vacina como estratégia de saúde coletiva. Os ensaios clínicos de fase 3, feitos entre julho e dezembro de 2020, haviam comprovado a eficácia do imunizante, com índices que variaram de 50,7% a 62,3% para casos sintomáticos e de 83,7% a 100% para ocorrências com exigência de assistência médica.