Categoria: Destaque, José Guilherme Ferreira

Empregos (e otimismo): receita de Felício para a retomada pós-pandemia

Em entrevista ao portal SPRIO, prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, faz um balanço do combate à pandemia e das medidas para a cidade recobrar o fôlego e crescer depois da crise.

José Guilherme R. Ferreira Publicado em 10/07/2021, às 15:59 • Atualizado em 11/07/21, às 17:18




Foto: Claudio Vieira/PMSJC

Criar um ambiente propício para que a cidade possa voltar rapidamente à normalidade – e até crescer – é hoje o maior desafio do prefeito Felício Ramuth, de São José dos Campos. Paralelamente à vacinação em curso contra a Covid, que nos últimos dias deu bons sinais de que já produz efeitos na redução do número de óbitos e de internações mais graves, há uma série de medidas da Prefeitura na tentativa de gerar e manter emprego e renda. Muitas posições foram ceifadas pela pandemia, em alguns casos de maneira cruel. Não tão cruel quanto o número total de mortos até aqui. Enquanto finalizo este texto, são 1.781 vidas perdidas e 83.917 casos da doença em São José dos Campos. Soma-se ao quadro, o trauma das  famílias enlutadas, que a estatística despreza.

O prefeito me recebeu para a entrevista na tela do seu computador (na foto), distanciamento social ainda fundamental no combate à transmissão do vírus. Foi uma conversa cordial, focada em questões locais, na qual ele fez um balanço das ações da Prefeitura no enfrentamento da pandemia, mas com olhos em um futuro diferente, que ele quer muito próximo e que, ao que parece, não deixou de ser desenhado durante toda a crise sanitária, desde 2020.

Perguntei ao prefeito se ele é um otimista. Ele não titubeou em proferir um definitivo sim. Eu mesmo vinha me perguntando como era possível o prefeito ser otimista diante de tantos dramas instalados pela Covid. Estaria ele influenciado por algum Pangloss, como Cândido de Voltaire? Com certeza, não. Não percebo nem ingenuidade, nem apego ao possível. Descobri que o otimismo do prefeito, ao que me parece, é movido e sustentado por dados, projeções e uma observação atenta e constante da realidade em movimento (está muito mais na órbita do “cultivar o próprio jardim”, a enigmática frase final do romance iluminista).

Em 12 meses, a cidade gerou 5.617 empregos. Dados do Caged. Imóveis de aluguel voltaram a ser ocupados, depois de certa debacle de 2020 e da triste cena de vitrines vazias e das plaquinhas de “aluga-se”. O prefeito diz que foi conferir de perto. Há novas indústrias se instalando na cidade, algumas com seus centros de serviços compartilhados: Ball, Bayer, Pilkington. Pequenos e médios negócios foram plantados e floresceram na pandemia, principalmente os mais adaptados ao ambiente virtual. A situação agora pode ficar menos difícil para os restaurantes (ou “despiorar”, como bem cunhou o jornalista Vinícius Torres Freire, da Folha), com o relaxamento dos horários de funcionamento, anunciado pelo governo do Estado na quarta-feira.

Frieza dos números

Provoco o prefeito: os números das planilhas oficiais são muito frios, escondem a dura realidade do desemprego, do pai de família levantando o cartaz na esquina, implorando por uma oportunidade de trabalho. Felício Ramuth diz concordar que a geração de emprego é hoje fundamental para que a vida se normalize. Não sei se gostou 100% da minha adjetivação: “números frios”.

Extraio da mesma fonte de Felício, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, os dados pelo avesso. São números fechados de 2020: São José dos Campos teve no ano passado um saldo negativo de 4.438 postos de trabalho, sendo a quarta cidade do Estado a sofrer mais cortes, somente atrás de São Paulo, Campinas e Santos. Isso não quer dizer, bem entendido, que não devamos comemorar a tendência de crescimento de vagas documentada pelo prefeito.

Linha Verde

Na entrevista a seguir, ele dá detalhes do combate à pandemia (também como se protegeu em sua própria casa), descreve o andamento de obras e projetos da Prefeitura que podem gerar vagas em seus canteiros, mas que têm sua importância amplificada como irradiadores de diversas atividades econômicas. A Linha Verde é só um exemplo.

O prefeito antecipou-se ao colocar em pauta a polêmica nacional em que esteve envolvido nos últimos dias: tomou a vacina com a esposa, acompanhando-a em data posterior ao calendário da sua idade, em dia da aplicação da “Janssen-de-uma-dose-só”. Os críticos da “sommelierização” de vacinas foram duros com ele (será que eu perguntaria também?).

Por fim, lancei rapidamente interrogações sobre seu futuro político, já que o próprio prefeito tem feito várias críticas a seu partido: “o PSDB está saindo de mim”, constata. Sobre eleições, diz que, no momento, continua focado no trabalho da Prefeitura. Felício não deixou sem resposta nenhuma questão (algumas delas, não publicadas nesta edição, sobre outros problemas da cidade igualmente importantes, como segurança, educação, meio ambiente, servirão de apoio a futuras reportagens).

Como bom otimista, o prefeito não tirou o sorriso do rosto uma única vez. Do mesmo modo como faz ao anunciar a chegada de cada novo lote de vacinas e as datas de aplicação. Há um nítido sentimento de que quer estar à frente do processo.

(É bom deixar claro que, como São José dos Campos não é uma ilha, e o próprio prefeito tem muita consciência disso, alguns planos podem ser atropelados pelo andar da carruagem em Brasília. Falo das denúncias da CPI da Pandemia contra o governo Bolsonaro e de todas as suas implicações e repercussões. E o leitor pode até pensar que o jornalista é, por lembrar disso, um grande pessimista. E tem todo direito.)

Abaixo, trechos da entrevista

O drama da pandemia só será resolvido pelo conjunto social, por meio da vacinação e de certos controles gerais. Mas há, digamos, os dramas individuais. Eu queria saber como o cidadão Felício vem se protegendo, em casa, no círculo familiar, em relação à pandemia?

É a primeira vez que me perguntam isso… Para mim, como prefeito, foi uma situação única que nunca imaginei pudesse acontecer. Eu tive que fazer as adequações na minha vida cotidiana. Até porque não poderia abrir mão de estar fisicamente cuidando da cidade. Desde o início da pandemia, e ainda até o tempo da segunda dose se consolidar, gerar anticorpos, dormimos em quartos separados. Eu quero ter a liberdade de poder cuidar da cidade, voltar para casa e não correr o risco de contaminar ninguém. Aconteceu de eu ser contaminado e não passar para a minha esposa nem para a minha filha, isso por conta desses cuidados. O banheiro que eu uso também é outro. E a gente permanece com todos esses cuidados pessoais. Em relação ao círculo familiar, meu pai vinha sempre nos visitar e tivemos que nos afastar – é o mesmo drama vivido por muitas famílias. E quando chegou a minha hora de vacinar, eu entendi que deveria esperar minha mulher, que abriu mão de muita coisa ao longo da pandemia para estar ao meu lado. E assim eu fiz. Além de todas as restrições, ainda tivemos que viver com as incertezas da pandemia.

 

“Sou a favor de se vacinar, sou a favor
da imprensa ajudar a mostrar a importância
da vacinação, mas sou contra a vacinação obrigatória”

 

Mas o sr. acha que todas as vacinas são boas, não é?

Eu acho que todas as vacinas são boas. Vacina boa é aquela que a pessoa receber. Mas vejo ao mesmo tempo uma realidade onde a questão das marcas ainda é grande, inclusive por causa das brigas políticas, quando começaram a desmerecer uma vacina em detrimento de outra. Ao mesmo tempo, sou uma pessoa que defende a liberdade. Sou contra a vacina obrigatória. Sou a favor de se vacinar, sou a favor da imprensa ajudar a mostrar a importância da vacinação, mas sou a favor da livre escolha das pessoas. Sempre fui, desde o começo da pandemia, e sempre serei.

Acredito que ainda vamos processar melhor o que está acontecendo. A história vai nos explicar o que foi a pandemia. Hoje estamos muito envolvidos e a avaliação fica meio embaçada. Além das dúvidas da natureza da própria doença, há uma infinidade de questões extra-pandemia a processar…

Realmente, além de ninguém ter ainda a resposta mais correta, há as interferências políticas. A pandemia foi muito politizada em nosso País – em alguns outros também. Mas, de forma geral, os países que enfrentaram melhor a pandemia foram aqueles onde não houve a politização da doença.

Eu tenho curiosidade em saber, como as vacinas chegam à cidade, como é a cadeia de distribuição?  

O governo federal recebe as vacinas, encaminha para os governos estaduais, e estes repassam para os municípios. Eles é que estipulam para qual público a vacina é destinada, qual a quantidade, se dose 1 ou dose 2. A nós cabe receber e fazer a parte mais importante que é fazer chegar ao braço da pessoa, o olho no olho. Quem conversa com o cidadão é o município, são os nossos profissionais.

 

“Eu acredito que com a vacinação chegando
aos 30 anos a queda do número de casos
graves vai ser ainda maior.”

 

Felizmente, nos últimos dias, temos a notícia de que o número de mortes está caindo e o número de internações também, não somente na cidade, mas em todo o País, o que não significa que devemos deixar os cuidados de lado, já que temos aí as variantes, a Delta e até uma Delta Plus…

Realmente a gente já vê uma queda no número de internados, dos casos mais graves. E é já o efeito da vacinação. E eu acredito, pessoalmente, que com a vacinação chegando aos 30 anos, essa queda vai ser ainda maior. E nós temos que começar a entender que vamos ter que conviver com essa doença. Essa é a grande questão. E aí eu volto para o meu tema da liberdade: cada um fazendo as suas escolhas, que risco vai querer correr. Tem gente que não vai poder escolher, vai ter de se expor ao risco.

O primeiro-ministro inglês Boris Johnson foi justamente manchete nos jornais britânicos nesta semana ao levantar a questão da necessidade de se conviver com o vírus.

Temos que ver isso também baseado em cada momento. Vamos lembrar que, lá no começo, ele negou a doença e teve de voltar atrás. Pode ser que tenha que voltar atrás novamente. Espero que não. Espero que todas essas variantes do vírus não tenham impacto tão crítico.

Entrando já um pouco no terreno da história, aqui em São José o combate à pandemia teve um exemplo de sucesso como Hospital de Retaguarda, construído em tempo recorde.

Foi uma experiência maravilhosa, na hora certa, com participação da sociedade, que contribuiu com doações. 75% foram em doações da sociedade civil, das empresas. Uma obra definitiva que acabou como exemplo para o Brasil inteiro. E que viralizou nas redes sociais quase um ano depois de estar funcionando. O Hospital ajudou muito no pico da pandemia. E deixou um legado: vai funcionar como pronto-socorro do Hospital Municipal.

Qual tem sido o peso da pandemia na economia da cidade? O que aconteceu nesse um ano e tanto de idas e vindas e indefinições?

Reflexo das ações tomadas, e não vamos discutir aqui se foram boas, se foram ruins, o que se percebeu foi um grande desequilíbrio econômico. Alguns setores ganhando dinheiro como nunca, com recordes absolutos de resultados. E muitos com resultados terríveis.

 

“Uma loja de sapatos, forte na internet,
vendeu. Uma loja de sapatos de rua
teve péssimo resultado.”

 

O que foi bem?

Toda a rede de construção civil, a venda de material lá na ponta, os construtores, as imobiliárias, as indústrias que produzem para a construção civil. Eu tenho um irmão, por exemplo, que tem uma rede de material de construção na área de madeira e o resultado dele nunca foi tão bom na história da empresa. O setor de supermercado também obteve resultados muito bons, o que pode ser uma migração daqueles que usavam restaurantes com frequência. Foram bem também alguns setores de saúde e setores do comércio tradicional que estavam bem posicionados nas vendas online. Veja que não foi uma questão de categoria, de segmento. E sim de posicionamento. Uma loja de sapatos, forte na internet, vendeu. Uma loja de sapatos de rua teve péssimo resultado.

Para quais setores a coisa desandou?

Os restaurantes, setores de eventos e turismo sofreram muito ao longo da pandemia.

E a arrecadação?

Com o excesso de lucro de alguns setores o saldo de arrecadação do ICMS foi positivo não só em São José, mas em todo o Estado. A cidade recebeu mais ICMS no segundo semestre do ano passado O bolo do ICMS aumentou. Por incrível que pareça, no ano passado, nós tivemos ainda recordes de pagamento de dívida ativa em São José. Uma loucura você pensar algo assim. Talvez isso esteja ligado à uma mudança de rotina por parte da população. Uma pessoa que não pôde viajar, por exemplo, pode ter direcionado seus recursos para outras áreas, valorizado mais a questão do morar, talvez tenha visto o carnê do IPTU atrasado e… opa!, deixa eu pagar isso aqui.

[Dois dias depois da entrevista, a Câmara Municipal de São José dos Campos aprovou um projeto do governo que reduziu a correção de juros em impostos e taxas municipais.]

 

“R$ 80 milhões do governo
federal compensaram exatamente
a queda de arrecadação.”

 

E em relação aos recursos federais?

No ano passado, arrecadamos menos do que no ano anterior. Mas recebemos verba do governo federal, não atrelada à Covid, por volta de R$ 80 milhões, para compensar a queda de arrecadação. E foi o suficiente. Bateu certinho com o que a gente arrecadou a menos. Esse recurso federal para os municípios e para as pessoas, com o auxílio emergencial, foram muito importantes. E eu não posso deixar de citar, independente de politicamente concordar ou não com o governo federal.

A pandemia trouxe o desemprego. Eu conheço muita gente em situação extremamente difícil. Quais as ações da Prefeitura para amparar essas pessoas?

Eu tenho um número muito interessante: nos últimos 12 meses, a cidade registrou 5.617 novos postos de trabalho. Este ano foram 2.882. Só em maio, registramos mais mil empregos. A gente percebe que a economia está em recuperação. E nosso dever de casa é posicionar a cidade para continuar com essa geração de empregos.

O prefeito há de convir que os números são muito frios. Porque há o pai de família na rua, com um cartaz, procurando emprego…

O melhor programa social, disparado, é o emprego. Infelizmente, já éramos um País de milhões de desempregados e continuamos um País de milhões de desempregados. Ainda que, voltando a ser otimista, a gente vê que as economias mais desenvolvidas foram mais afetadas. Há que se levar em conta também que estamos diante da uberização de algumas atividades, que não refletem na carteira assinada, mas geram receita.

A Prefeitura tem uma grande rede de proteção social. O Programa do Pró-Trabalho, que criamos antes da pandemia, já deu oportunidade para duas mil pessoas, com um salário de R$ 1.000 por mês. O Qualifica faz treinamentos – treinamos 17 mil pessoas em plena pandemia, claro que a maioria das vezes à distância, com o objetivo da qualificação.

A construção civil muitas vezes já foi responsável por alavancar retomadas econômicas. Quais obras da Prefeitura podem ir nessa direção?

Antes das obras propriamente ditas, o nosso grande foco gerador de empregos é o PPI [Programa de Parceria de Investimento], que envolve investimentos em vários ativos do município. O PPI tem R$ 500 milhões para investimentos, mas não são para obras em si. O exemplo do aeroporto: com ele a gente quer ter voos de carga, de passageiros. E tendo esses voos, gerar empregos. Vai ter obra, mas não só.

 

“Quem olha a Linha Verde apenas pelo viés
da mobilidade está vendo apenas
um pedacinho do que ela vai trazer.”

 

É uma cadeia?

É uma cadeia. A gente quer ver esse ativo bem aproveitado. Quando se fala na Arena Municipal, a gente quer ver eventos dentro da arena. Tendo eventos, têm as pessoas usando o estacionamento, comprando coisas. A gente quer ver a economia girando com as ações do PPI.

E o andamento das obras da Linha Verde?

É uma grande obra que está mobilizando muitos profissionais. Queremos entregar até o fim deste ano. Traz benefícios durante a sua execução, ainda maiores depois de pronta, na mobilidade urbana, lembrando que ela vai ter ciclovias, calçadas, novas praças.

Esse eixo vai ser certamente um eixo de comércio, de outras atividades…

Isso mesmo. É um redesenho urbano, onde o transporte de massa é colocado perto de locais onde você centraliza a cidade, deixa a cidade mais compacta. Ou seja, traz mais qualidade de vida para as pessoas. A Linha Verde tem um caráter ambiental, urbanístico e de mobilidade urbana. Quem olha a Linha Verde apenas pelo viés da mobilidade está vendo apenas um pedacinho do que ela vai trazer. É um redesenho das regiões Sul e Central da cidade, depois da região Leste.

Vi movimentação na área externa da Arena… As obras estão acabando?

Estão fazendo o estacionamento e o paisagismo. E será concedida à iniciativa privada. Por causa da pandemia, não há previsão de inauguração. O que estamos fazendo este mês é o lançamento de um edital de concessão. Assim como fizemos com o Martins Pereira. Como não veio ninguém interessado no caso do estádio, vamos lançar o edital novamente. Nós queremos ver esses equipamentos públicos melhor aproveitados, lembrando que tanto na Arena, quanto no Martins Pereira, quem ganhar a licitação tem de deixar dias reservados para o município. Temos que colocar em cada um deles, o futebol de São José, o time de basquete, de vôlei…Está garantida a utilização gratuita pelo município. Nos outros dias, o concessionário vai poder alugar e cuidar da sua programação.

 

“Edital de concessão
do aeroporto sai este mês.
Operação começa em janeiro.”

 

E o edital do aeroporto?

Nesta semana, fizemos os últimos ajustes. O edital será publicado ainda este mês. Depois teremos as consultas públicas necessárias, porque existe um rito jurídico a ser seguido. É o pontapé inicial para que uma empresa assuma a operação do aeroporto, em janeiro. Será um aeroporto que seguirá as políticas públicas do município, operado por uma empresa privada. Um contrato de concessão de 35 anos.

A busca de novas indústrias também entra na política de empregos?

Sim. Estou muito contente com o investimento da GM, são bilhões na planta de São José, na sua modernização. Vale lembrar, entretanto, que o novo jeito de fazer da indústria, lamentavelmente, não gera tanto emprego como antigamente. Apesar de gerar produção, gerar valor, não é mais diretamente proporcional à geração de empregos. Por isso é preciso criar alternativas de serviço, os centros de serviços compartilhados.

O sr. poderia dar mais detalhes desses centros de serviços compartilhados?

É uma central de serviços de uma indústria para atender as várias unidades que ela tem. Começou aqui com a Ball, a antiga Latapack. Uma multinacional americana, que tem na América Latina 15 indústrias. E tudo é controlado daqui de São José dos Campos, do seu centro compartilhado. E o que é tudo? Contas a pagar, a receber, RH, emissão de notas fiscais, TI, toda a parte administrativa. Conseguimos atrair para cá também o centro compartilhado da Bayer. Eles têm quatro centros desses no mundo: Ásia, Europa, EUA e o nosso aqui, em São José. Controlam daqui 50 indústrias, fazem toda parte do back-off. A Pilkington, da Cebracê, também trouxe seu centro compartilhado para cá. E estamos de olho em outras duas empresas. Só como curiosidade, a Costa Rica tem hoje a sua economia baseada em centros de serviços compartilhados.

 

“Hoje a principal atração da cidade é a qualidade
de vida. Faz toda a diferença quando uma
empresa tem que escolher um local.”

 

Além da política de incentivos fiscais, que outras medidas atraem as empresas para a cidade?

Hoje a principal atração da cidade é a qualidade de vida. Faz toda a diferença quando uma empresa tem que escolher um local. A Ball, por exemplo, depois de trazer seu CST, trouxe para cá o seu head-quarter, por causa da qualidade de vida, segurança, saneamento básico… e por saber que seus servidores terão acesso a uma rede de atendimento à saúde e à educação bem fortalecida. Temos ainda facilidades na desburocratização em relação a licenciamentos. Há na Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico um fast-track para essas indústrias que querem trazer suas atividades para cá. A gente carrega no colo. Estamos investindo também na atração de centros de logística. Agora mesmo um desses centros, da área de farmácias, está sendo inaugurado em São José.

E o trabalho de formiguinha, do pequeno empreendedor?

Temos um recorde de abertura de empresas na cidade. Não só microempresas, mas de médio porte também. A situação do mercado de imóveis para alugar é um indicativo. A situação mudou muito do que foi no meio do ano passado. Hoje há poucos imóveis para alugar e houve também uma queda dos valores de locação, uma certa acomodação. Regiões como o Aquarius não têm imóveis para alugar. E isso se deve também à migração de pessoas de outras cidades. A EDP trouxe a sua sede estadual de Mogi para São José, no Aquarius.

Para finalizar, uma pergunta política. Estamos perto de 2022. E as movimentações eleitorais já começaram a mil. O prefeito Felício Ramuth pretende ficar na Prefeitura. Ou vai se candidatar a outro cargo? Esse é o grande buxixo na cidade…

Não sei se fico lisonjeado com esse buxixo ou não…Certas pessoas pensam que eu poderia contribuir mais. O meu objetivo agora é contribuir com a cidade. Nós estamos no meio de uma pandemia e não dá nem para pensar nisso, neste momento. Então meu foco agora é se concentrar no cuidado da cidade. Eu quero ver São José vivendo uma situação bem diferente, com uma recuperação ainda mais forte. Ainda que eu, como político, claro, estou atento às movimentações e quero fazer parte delas, da política partidária.

Como anda a relação  do sr. com o partido? O sr. tem se queixado…

É verdade. E isso eu não escondo nem dos líderes do PSDB. É o momento de maior insatisfação no partido, insatisfação com os caminhos que ele foi trilhando. Eu nunca estive tão pouco à vontade. O partido começa a traçar uma trajetória diferente daquela que me atraiu quando eu entrei.

Foto: Claudio Vieira/PMSJC

“Muita gente me pergunta: você está
saindo do PSDB? Eu digo: não, talvez

seja o PSDB que esteja saindo de mim.”

 

Isso tem alguma relação com o conflito com o governador João Dória, por causa dos decretos de medidas restritivas da pandemia?

Não, não. Tem a ver com o partido e não com o  governo (João Dória é o governador). O partido não pertence a uma pessoa. Pelo menos não deveria pertencer. O PSDB era mais orgânico e hoje está deixando de ser para ser de um pequeno grupo. Isso incomoda, sim. E não só a mim, como a outros prefeitos do partido. Avaliamos que o partido poderia ter mais proximidade com os prefeitos das médias cidades. Defendo uma agenda partidária para o Estado e para o País. E o PSDB em São Paulo é onde é mais forte, a gente poderia contribuir mais. Além disso, há algumas questões ideológicas, como as declarações de FHC sobre as futuras eleições [FHC tem ultimamente feito a defesa da candidatura Lula]. Muita gente me pergunta: você está saindo do PSDB? Eu digo não, talvez seja o PSDB que esteja saindo de mim.

 



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